O OUTRO LADO DOS FESTIVAIS
Iron Maiden, Rage Against The Machine, Sex Pistols ou Bob Dylan são os nomes que logo associamos aos festivais de Verão deste ano em Portugal, mas quando vamos a um qualquer site de Internet ver quem mais actuará no dia em que vamos ver os Rage Against The Machine, por exemplo, deparamo-nos com uma lista de nomes pouco ou nada conhecidos no grande público. Boas e por vezes excelentes bandas que por um motivo ou outro acabam por não merecer a atenção do grande público. Falo por exemplo dos Hercules and Love Affair que irão actuar no Alive!08. São uma banda electrónica que conta com a voz muito anos 20 de Antony Hegarty, mais conhecido pelo seu trabalho na banda Antony and the Johnsons, mais uma vez um nome que não saltará ao ouvido. No entanto se ouvirmos o single Blind dos Hércules and Love Affair rapidamente reconhecemos a sua voz. É isso que se passa com a esmagadora maioria das tais bandas desconhecidas de festivais. Não conhecemos o nome, mas se ouvirmos uma música que tenha chegado a passar algumas vezes na rádio logo as reconhecemos, como acontece com a voz de Antony Hegarty. Os MGMT são outra banda cujo nome não é sonante, e no entanto o seu refrão já aparece em promos da Mtv2. E já que falo por siglas, refiro também os MSTRKRFT. Leia-se Master Kraft, a banda tecno e electro punk actuará também no Alive e conta já com alguns singles de 2006, que poderão vir a ser reconhecidos por quem espera ver Neil Young no mesmo dia, como Easy Love. Partamos agora para os autênticos festivais de Verão, Paredes de Coura e Sudoeste, onde realmente abundam as bandas desconhecidas. Principalmente neste último, mas já lá iremos. Em paredes de Coura são dignos de relevo os The Mae Shi, a banda de punk experimental, já com um grupo de fans suficientemente grande para garantir a venda de alguns bilhetes apareceu em 2004 com o álbum Terrorbird. Não são a banda mais convencional antes pelo contrário, mas o seu punk original e imprevisível é sem dúvida uma experiência diferente. Também em Paredes de Coura vão estar os The Long Blondes. O seu Indie é influenciado por Punk e New Wave, e pop dos anos 60 e contam já com 2 albuns, de relativo sucesso em Inglaterra. Antes de sair de Paredes não posso deixar de fazer referência aos portugueses Wraygunn, que se continua por perceber onde anda o seu reconhecimento. Quem ouve a sua música rapidamente afirma qualidade, e quando revelamos que são portugueses o ouvinte nem quer acreditar. Soul City é já um hino, Love Letteres From a Muthafucka a total extroversão e Go Go Dancer a festa da dança onde não falta Gospel, Blues e grandes guitarradas com toques de reminescência. O ano passado foram uma das melhores bandas no Sudoeste e este ano com muitas dificuldades serão batidos pelos Sex Pistols. E é para combater esta incoerência que a Guru visa apoiar e engrandecer as bandas portuguesas, que só por cá terem sido criadas, são sombreadas por nomes claramente de menos qualidade como os Pigeon Detectives que actuarão depois dos Wraygunn. Vamos então dar uma olhadela ao cartaz da Zambujeira do mar, e a verdade é que nos cerca de 50 nomes já confirmados talvez 10, se tanto, são reconhecidos pelo festivaleiro casual. The Most Wanted, Make Model, Melee, Júnior Boys ou Cut Copy são apenas alguns dos nomes pertencentes ao gigante lote de desconhecidos do Sudoeste. Nem todos são bons, verdade seja dita, mas alguns são dignos de destaque. Os Cut Copy são um desses nomes. Misturando electropop com Punk prometem um espectáculo alucinogénico e altamente dançável. Outra banda de destaque são os Fat Feddy’s Drop, que surgem em 2001 com o estilo de música que o Sudoeste mais pede: uma fusão de reggae, jazz e soul, num resultado que se traduz em qualidade. Por último uma referência ao recém surgido, mas já muito falado Sam Sparro. O cantor/escritor australiano irá apresentar o seu álbum homónimo de soul com alguns sons funk, que resultam em melodias agradáveis, lembrando nalgumas áreas Patrick Wolf e noutras Sean Riley and the Slowriders. Este outro lado dos festivais muitas vezes desconhecido acaba por ser uma bênção para quem procura alternativas aos movimentados cabeças de cartaz acabando em palcos secundários vazios onde se escondem grandes bandas, recentes é certo, mas provavelmente com uma carreira ainda por descobrir e explorar, que proporcionam música actual muitas vezes rejeitada por ser demasiado diferente do habitual. Felizmente os festivais portugueses, e agora infelizmente pois talvez estejam motivos financeiros por detrás, continuam a trazer nomes pequenos a juntar aos cabeças de cartaz de forma a garantir variedade e muitas horas de espectáculo. Palmas para todos, excepto para o ultra-comercial Rock in Rio, que por vezes também faz falta, nem que seja por trazer Offspring ou Apocalyptica, que acabam por actuar por baixo dos que mais aparecem no Top+.
David Bernardino
domingo, 1 de junho de 2008

Primitive Reason/Alternative Prison - Em 1995 os Primitive Reason lançaram o seu álbum de estreia, Alternative Prison que foi altamente aclamado pela imprensa nacional e que veio introduzir no mercado nacional o género de ska, com toques de metal e reggae, resultando naquele que é sem dúvida um dos melhores álbuns nacionais da década de 90, com hits em Hipócrita ou Seven Fingered Friend que nos fazem duvidar que esta banda seja mesmo produto português. Este ano, comemorando os 15 anos de existência dos Primitive, o álbum é reeditado dando à banda uma desculpa para uma nova tournée nacional, provando que ao vivo são das bandas que melhores espectáculos dão, conquistando para a dança ska mesmo quem nunca tenha ouvido o seu som.
5/5
David Bernardino

Linda Martini/Marsupial- Depois de 'Olhos de Mongol' surge agora este belo Marsupial, que nos transporta para fora da realidade, querendo prender-nos ao seu espetáculo surreal. Pequeno mas bom, este EP abre com uma música para não esquecer, "A corda do elefante sem corda", que através de uma mensagem cuidadosa nos transporta para o início desta empolgante viagem, de guitarras certeiras.
Ao chegarmos à última música queremos mais e mais, mas a banda acaba da melhor forma, com uma lenta explosão de instrumentos, a par com uma das suas mais belas letras
em "As Putas dançam slows". Este EP é sem dúvida, uma renovação de toda a música e uma aposta numa 'nova sonoridade', a sonoridade dos Linda Martini.
5/5
João Fernandes

You Should Go Ahead/You Should Go Ahead - Apesar de já ter sido lançado o segundo álbum dos You Should Go Ahead, foi com este auto-intitulado de 2005 que a banda instantaneamente se catapultou para o sucesso, sendo escolhida para actuar em festivais de renome como o South By Southwest 2007, em Austin, Texas, ou mesmo o Creamfields, actuando antes de Prodigy e Placebo. O álbum começa de forma violentamente dançável e psicadélica com Alien Discoteque, seguindo-se Like I Was Seventeen, o primeiro single da banda que muda o registo bruscamente em relação à faixa anterior, numa das maiores características da banda: o cocktail de emoções que dá nome ao mais recente álbum (Emotional Cocktail). Seguem-se outras boas faixas de retro-rock descontraído como She’ll Turn Us All On e Wake Up Song, também transpostas para single. A banda ressuscita ao lado da vaga de rock pouco perfeccionista e revivalista de Franz Ferdinand ou Strokes, sendo os representantes mais fortes do género nacionalmente.
4/5
David Bernardino

Riding Pânico/Lady Cobra- Cá está um álbum para ouvir vezes sem conta, que transforma a música num meio de transporte, um transporte para a mente. Os Riding Pânico são uma banda com influências de rock progressivo e alternativo, que combinam toda a sua mestria nos instrumentos com uma grande sonoridade, sem vocal. Mas o vocalista aqui não faz falta, os instrumentos fazem toda a magia. Em temas como 'One Winged Cessna', ' E se a bela for o monstro' e 'Vox Humana', senti-mos toda a sua energia e creatividade, sendo que o seu som é algo que se reconhece ao longo de cada faixa, seja ela o mais diferente possivel da anterior. Um cd a ter em conta, pela sua enorme creatividade e energia.
5/5
João Fernandes

Micro Audio Waves/Odd Size Baggage – Os Micro Audio Waves, aquando do lançamento do seu primeiro álbum homónimo, foram rapidamente aclamados como uma lufada de ar fresco no campo da electrónica nacional, apresentando aquele que foi de facto um álbum brilhante. O mesmo não se pode dizer do seu seguidor Odd Size Baggage, que apesar de apresentar faixas muito boas como Down By Flow, acaba por se perder no meio da melancolia de Russian Connections ou Do This Do That acabando por não se perceber afinal o que pretende o álbum. Enquanto Down By Flow e 2Night desfilam ambient dançável com boas prestações vocais, essa sonoridade perde-se com muitas outras faixas que acabam por cair num ambient demasiado monótono e minimalista. Apesar de este ter sido o registo do primeiro álbum, lá obtínhamos loops que se encaixavam quase espacialmente lembrando até por vezes Daft Punk sem a batida. Com Odd Size Baggage é compará-lo ao primeiro “Ambient” de Moby, mas retirar-lhe a noção de variedade e originalidade sonora. Emocionalmente é um álbum talvez demasiado escuro e depressivo, não deixando de dar boas mostras de sonoridade electrónica. Ouça-se Future Smile para entender os paradoxos do álbum.
3/5
David Bernardino
A INFLUÊNCIA DA MÚSICA NA SOCIEDADE
É inegável a influência da música no ser humano, na sua forma de agir, pensar e até mesmo de ser. O ser humano desenvolve-se em sociedade e como tal, influência esta mesma sociedade, que reciprocamente influência cada um de nós.
A música, dizem, faz parte da cultura de cada sociedade, sendo mais influênciada por determinados aspectos.
A música mexe com a roupa que usamos, a forma como vemos a vida e os nossos objectivos pessoais. E é aí que tudo se torna um encanto, pertencer a algo que nos faz sonhar, que nos consegue tornar mais fortes através do pequeno gesto de escutar e apreciar. Todos os géneros musicais têm a sua arte e qualidade, há apenas formas de diferentes para olhar para cada um deles.
Há quem se suícide pela música, há quem seja líder pela música, há quem se apaixone pela música e há também quem coloque a música à frente de tudo. Estas acepções são perigosas, mas são parte constituínte da existência musical.
A música cria grupos, que se regem por determinados rituais ou regras, mas diga-se, nada é obrigatório e é esse o valor da música, o de dar liberdade total ao ouvinte, liberdade na forma de pensar ou agir, sendo que coloca um certo toque pessoal no que dá, mas não pede obrigatoriamente o mesmo em troca.
Já falámos da influência musical nas pessoas, mas ainda não discutimos o porquê dessa influência e a sua origem. Não há ninguém por detrás de acada género musical, não há um lider, há apenas figuras, que agem como lhes compete, mas nunca com funções declarativas. Deste modo, porque nos influênciamos pela música? A questão é pertinente, mas a resposta é demasiado ampla. A música é uma arte, e como arte não é objectiva nem uma ciência exacta, deste modo não há um padrão a seguir. O ser humano não pode estereotipar a origem musical, tem que aceita-la como é e como nasceu.
A música é algo que liga o ser-humano entre si, que o faz relacionar-se.
É assim, mais que clara, a influência musical em qualquer sociedade, seja primitiva, seja na última fase de evolução.
João Fernandes
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